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O jornal Últimas Noticias, da Venezuela, publicou uma entrevista com o jornalista e professor Francisco Sancho, aqui reproduzida (conforme o original, em espanhol).

A magia do jornalismo

Gay Talese, um dos fundadores do New Journalism (novo jornalismo), uma maneira de descrever a realidade com o cuidado e o talento de quem escreve um romance, foi a grande estrela da Festa Literária Internacional de Paraty. Sua crítica da mídia pode parecer radical e ultrapassada. Mas não é. Na verdade, Talese é um enamorado do jornalismo de qualidade. E a boa informação, independentemente da plataforma, reclama talento, rigor e paixão.

O dever da denúncia

Nós, jornalistas, sem qualquer engajamento ideológico, mas cumprindo rigorosamente nosso dever de denúncia, podemos contribuir poderosamente para a renovação ética do País. O combate à corrupção deve ser uma bandeira permanente. Para isso, em primeiro lugar, é preciso fugir do jornalismo declaratório e investir pesadamente na metodologia da dúvida. Interrogar e duvidar é um dever profissional elementar, sobretudo quando se cobrem assuntos de interesse público.

Jornais–hambúrguer versus qualidade

Os pessimistas me aborrecem. Fazem, como dizia Oduvaldo Viana Filho, “do medo de viver um espetáculo de coragem.” Vivem de mal com a vida. Estão sempre em posição de combate. Não olham para frente. São homens e mulheres de retrovisor. À semelhança de Quixote, vivem lutando contra moinhos de vento. Falta-lhes equilíbrio, serenidade e bom senso.

O fascínio do jornalismo

As virtudes e as fraquezas dos jornais não são recatadas. Registram-nas fielmente os sensíveis radares da opinião pública. Precisamos, por isso, derrubar inúmeros mitos que conspiram contra a credibilidade dos jornais. Um deles, talvez o mais resistente, é o dogma da objetividade absoluta. Transmite, num pomposo tom de verdade, a falsa certeza da neutralidade jornalística. Só que essa separação radical entre fatos e interpretações simplesmente não existe. É uma bobagem.

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